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Bragança Paulista - SP
Artigos - Psicologia
Mãe, para que serve este artigo?
Por Élide Camargo Signorelli
19/02/2009 | Fonte: Integral.br
O papel de marido remete ao tema dos vínculos, das relações entre as pessoas, da dependência que temos uns dos outros, do reconhecimento e gratidão pelo que o outro representa ou então da inveja que ele provoca, ou mesmo das decepções que ele infringe.
Perguntas como essa são incômodas, pois perturbam o sossego de não ter de enfrentar a complexidade de juntar elementos muitas vezes contraditórios. Claro, não há uma única resposta para tal pergunta. Mas esse menino, no auge de seus 5 anos, estava ensaiando pensar sobre a vida. Não de uma forma geral, porque ele ainda não tinha condições mentais para isso. Mas a pergunta trazia consigo ideias, impressões, observações, sentimentos, dúvidas, que ele vinha coletando e que deviam estar soltas e dispersas, clamando por integração.
Para este artigo de hoje, o que me interessa são as perguntas e não as respostas.
Recordo-me de outra situação em que, já adulta e fazendo parte de um curso, o professor exigia que fizéssemos no mínimo três perguntas sobre o assunto da aula. Ele se preocupava pouco com as respostas, pois acreditava que o exercício mental exigido para formular perguntas era muito maior do que o provocado para respondê-las.
Perguntar implica, essencialmente, buscar a origem das coisas. É uma reação à falta. As privações naturais e as frustrações nos levam a pensar e a perguntar. A curiosidade e o impulso de conhecer também. Quando necessitamos de sentidos para a vida, começamos a perguntar.
Por trás da pergunta do menino, estão várias outras como: "Mãe, como nascem os bebês?", "Mãe, para que serve a vida?", "Mãe, para que serve a morte?", "Mãe, quem sou eu?", "Mãe, para que serve uma profissão?", "Mãe, para que servem as relações com as pessoas?". Encheria várias páginas com infinitas perguntas.
Indagar sobre as coisas da vida, pensar sobre elas, é o único caminho que nos leva à construção dos sentidos, dos significados e dos símbolos. É pensando e perguntando que vamos nos humanizando, vamos nos tornando sujeitos e construímos nossa identidade. E não é à toa que coloco a mãe como alvo da pergunta, pois para mim ela representa o início de tudo, a origem, o mistério e a sabedoria.
Para que serve este artigo? Responderei a essa pergunta na próxima semana.
Élide Camargo Signorelli , é psicóloga com formação psicanalítica pelo S.P.CAMP, Sociedade Psicanalítica de Campinas, e especialização em adolescência pelo Departamento de Psiquiatria da FCM da Unicamp.