UNIDADE I
R. Cel. João Leme, 410Bairro: Centro
Fone: (011) 4033 1118
UNIDADE II
Av. Salvador Markowicz, 571Bairro: Jd. Sta. Helena
Fone: (011) 4032 4971
UNIDADE III
Av. Salvador Markowicz, 541Bairro: Jd. Sta. Helena
Fone: (011) 4033 5352
contato@cursointegral.com.br
Bragança Paulista - SP
Artigos - Psicologia
O álcool e as mulheres
Por Élide Camargo Signorelli
22/08/2009 | Fonte: integral.br
Para se ter uma idéia mais clara, uma cerveja no corpo feminino produz efeitos equivalentes a duas ingeridas por um homem de mesmo peso.
Vários estudos científicos foram feitos, comparando os efeitos da bebida alcoólica nos homens e nas mulheres, e é unânime o fato de que nas mulheres os riscos de doenças e problemas relativos à ingestão do álcool são bem maiores do que nos homens. Dependendo dos níveis ingeridos por dia, doenças como hipertensão arterial, derrame cerebral hemorrágico, câncer de mama, infertilidade, e distúrbios fetais, nos casos de gravidez, ganham maior probabilidade de acontecer.
Se há uso continuado de álcool, há também uma redução maior da massa óssea, com riscos de osteoporose, em mulheres.
Enfim, fica bem claro que as mulheres, por suas condições físicas e orgânicas, enfrentam problemas mais sérios em relação aos efeitos da bebida alcoólica. Isso não isenta os homens de uma preocupação sobre esse assunto. Para eles, os efeitos também são bastante significativos, mas nas mulheres tudo adquire maior proporção. Além disso, as mulheres dependentes de álcool sempre foram mais estigmatizadas que os homens. Na sociedade, há uma tolerância maior em relação a eles. Beber, para os homens, está equivocadamente associado à virilidade, à força. Competições entre homens são travadas para provar quem é o mais forte, quem aguenta beber mais. E, na própria família, as mulheres encontram preconceito e ausência de apoio. Os parceiros, em geral, ou são dependentes também ou não auxiliam no tratamento de suas mulheres.
As mulheres vêm abrindo caminhos para uma maior inserção em todos os campos da sociedade. Vêm derrubando tabus, preconceitos, e revelando capacidades que, até um tempo atrás, seriam difíceis de imaginar, dado o enquadramento cultural.
Mas, penso que elas se perdem, muitas vezes, ao não conseguirem preservar suas características próprias, como se tivessem que igualar-se ao homem ao preço de apagarem diferenças fundamentais e desejáveis. Isso acontece, em parte, porque a distinção, quando existe, aparece de forma preconceituosa, injusta para a mulher. No mercado de trabalho, por exemplo, a mesma função recebe menor remuneração quando é desempenhada por uma mulher. Ainda há uma pressão muito forte tentando desvalorizar e até impedir suas iniciativas. E isso acaba sendo um elemento que fomenta a competição destrutiva e aniquiladora das diferenças.
Ao mesmo tempo, uma assunção maior de responsabilidades traz às mulheres uma carga que vai além da conta. Elas têm de ser bem sucedidas (e magras, segundo um texto da rádio Band News, que fala sobre as várias atividades das mulheres) em todos os campos. E, se isso é uma demanda da sociedade, ao mesmo tempo, encontra, nelas próprias, uma identificação com tais exigências. Ou seja, as mulheres criam para si mesmas uma armadilha em que, ao quererem provar sua potência, acabam se submetendo ao sistema opressor. Em busca de consumir os objetos "de direito", passam a ser elas o próprio objeto consumido pela mídia, pelo mercado e pelos núcleos mais fechados também, como a família.
A armadilha está, também, no fato de que se existe uma ânsia em ocupar o lugar daquele que vai atingir a satisfação plena e ao mesmo tempo proporcioná-la, isso, de forma paradoxal, levará o indivíduo a frustrações, já que tal satisfação é impossível. A procura da felicidade e da eliminação do sofrimento leva o ser humano a buscar meios que, muitas vezes, não são os que poderiam lançá-lo, ainda que de modo aproximado, a essa condição, que, ainda por cima, é uma condição idealizada.
O álcool, então, pode ser uma promessa - ilusória - de resolver alguns problemas. Ao ingeri-lo, as mulheres tentam igualar-se ao homem, nessa equivocada necessidade de provarem que têm valor. E também buscam nisso um atenuante para a incessante e exaustiva jornada de atividades e compromissos e a inevitável insatisfação que a acompanha.
O álcool entorpece a consciência e proporciona várias sensações, de alívio, anestesia e prazer.
Hoje, o consumo de álcool pelas mulheres aproxima-se, cada vez mais, do padrão masculino. O perfil atual da consumidora é o de uma mulher entre 18 e 25 anos.
A adição, seja do álcool, ou de outras drogas, é uma defesa contra a dor e o sofrimento, mas, ironicamente, acaba produzindo, ela própria, sofrimento e dor.
Élide Camargo Signorelli, Élide Camargo Signorelli, psicóloga com formação psicanalítica pelo C.P.CAMP, Centro de Psicanálise de Campinas, e especialização em adolescência pelo Departamento de Psiquiatria da FCM da UNICAMP.e-mail: elidesig@terra.com.br